Construindo uma
máquina de Voss
O
conjunto então foi montado para verificar as medidas e
exatidão dos furos. Nas fotos abaixo pode-se ver o poste
principal e o disco fixo já com os dois pinos de
acrílico e o boss, tudo encaixado no devido lugar.
Também
o furo feito no centro do disco fixo.
Passei
então a preparar o dispositivo da manivela. Com o objetivo
de
obter baixo atrito em minha máquina, e a exemplo do que fiz
no
boss do disco giratorio, optei por colocar dois rolamentos
também na manivela. Cortei um pedaço de madeira
torneada
circular com uma serra copo de dimensões aproximdas ao dobro
do
seu diâmetro de forma a obter uma ponta com um corte
arredondado,
conforme as fotos abaixo.
A
etapa seguinte consistiu em colocar um parafuso sem cabeça
no
sentro do eixo e penetrando ligeiramente entre os rolamentos de forma a
assegurar uma fixação firme entre as duas
peças.
Usinei então um eixo de aço na medida exata do
diãmetro interno dos rolamentos, e fiz uma rosca M6 em seu
centro. As peças de madeira foram então coladas e
usei
meu torno pequeno para segura-las no lugar até a cola para
madeira secar bem.
Preparei
então um disco de madeira de 12 cm de diâmetro com
um furo
no centro e rebaixo nas bordas para servir de polia no dispositivo e
fixei a mesma no eixo de aço que havia preparado antes.
Cortei
em seguida uma peça de madeira de lei medindo 14 cm de
comprimento por 5 cm de largura com um lado arredondado. A mesma foi
furada e fixada com cola e parafuso no conjunto antes preparado. Cortei
então uma manivela de madeira que foi fixada ao eixo do Boss.
Foi
então feito um furo na base da máquina para
encaixar o
poste principal de sustentação dos discos. O
poste foi
fixado então com o auxilio de cola para madeira e 4
parafusos
auto-atarrachantes.
Abaixo vemos o disco móvel pronto e depois já encaixado no lugar.
Um pequeno video da máquina funcionando ainda sem as garrafas de Leyden pode ser visto clicando aqui.
Melhorando a máquina de Voss
(Improving Voss machine)
Após
alguns testes iniciais constatei que minha máquina apresentava
limitação quanto à tensão máxima de
saída. Operando-a no escuro (após acostumar bem meus
olhos com a escuridão) observei diversos pontos de fuga de carga
por efeito corona: as extremidades dos coletores de carga, os
terminais de conexão entre os indutores e as escovas, as placas
indutoras (de papel) e a correia na parte de tras da máquina -
tudo estava iluminado por descargas elétricas que consomem a
carga gerada pela máquina. Além disto não coloquei
pentes com pontas nas extremidades das barras neutralizadoras, e
portanto não estava usando adequadamente a superfície dos
discos. O sistema de fixação dos terminais também
não ficou bom. Decidi então melhorar a
construção da máquina, corrigindo estes pontos
fracos.
As fotos a seguir apresentam as
modificações que realisei, além da
implementação de garrafas de Leyden.
As
garrafas de Leyden foram implementadas em tubos de plástico que
obtive comprando um conjunto de tempero para salada (chamamos de
galeteiro aqui no RS). Torneei uma base circular de madeira com um
rebaixo no centro, e colei o copo plástico já com as
placas de aluminio no lugar com cola araldite. O fundo do copo foi
revestido também com papel alumínio e fica em contato com
um parafuso que atravessa a base da garrafa de Leyden e a base da
máquina, de tal forma que é possível conectar
eletricamente a armadura externa das garrafas por baixo da
máquina. Tratei de riscar levemente os copos por dentro e por
fora, dando-lhes a aparencia de vidro antigo, já que a
idéia era reproduzir uma máquina como as que vi em fotos
de museus.
A 90º do primeiro furo que fiz
para passar o terminal de descarga furei a esfera e fiz rosca M5,
prendendo aí um eixo de latão. Este conjunto
sustentará o coletor de carga. As tampas das garrafas de Leyden,
já devidamente montadas e com a conexão entre a placa
interna e os terminais de descarga feita, foram coladas no copo
plástico. O conjunto ficou rígido e perfeitamente
alinhado, e , para meus padrões de exigência, muito bom.
Cilindros
de alumínio foram cortados e suas extremidades feitas
esféricas, constituindo assim o corpo dos coletores de carga.
A foto mostra o terminal coletor de cargas montado na fresadora para ser furado.
Foram
feitos furos de 2 mm de diâmetro no terminal, e nele inseridos
pregos de latão com pontas feitas em um esmeril, que servem para
a coleta de carga na superfície dos discos. Note que uma ponta
é mais curta, exatamente aonde passa o botão (ressalto)
do disco, que não necessita ser tocado.
Vista
do conjunto já montado sendo colocado no lugar - a garrafa
de Leyden sustenta o terminal de descarga e o coletor de cargas.
Ela é fixada por um parafuso que atravessa a peça de
madeira que forma seu pé e que faz contato com a armadura
externa do capacitor de forma a dar acesso a ela pela parte de baixo da
base de madeira.
Os parafusos de fixaçãod as garrafas são fixados
por uma arruela e porca que estão sobre uma tira de
alumínio colada por baixo da base de madeira e que vai
até o terminal de conexão de terra (foto abaixo). Movendo
estes terminais podemos separar a armadura externa dos capacitores ,
deixando que a madeira da base funcione como um resistor em
série com os capacitores, diminuindo a intensidade das
descargas. Coloquei dois pequenos bastões de acrílico nos
parafusos de fixação de forma a permitir seu ajuste coma
máquina operando.
A máquina pronta pode ser vista nas fotos abaixo. Ela inicia sua
operação mais fácil que qualquer outra
máquina que eu construí. Basta meia volta na manivela
para que ela começe a produzir o ruído
característico (estalos) indicando que está carregando, e
com meia volta mais já ocorrem faíscas de 3 cm ou mais.
Ela tem uma deficiência na isolação entre a correia
de couro e o indutor do lado direito, penso em colocar um terceiro
disco de acrílico por trás do disco fixo, imaginando com
isto que este problema seja corrigido, pois coloco uma chapa de
acrílico atrás deste indutor e as faiscas aumentam
imediatamente para mais de 5 cm. O outro ponto falho na montagem
é a geometria dos terminais que fazem contato entre os indutores
fixos e os móveis, que ocasionam fuga (vista no escuro). Vou
desenhar peças de acrílico com um condutor por dentro
para tentar melhorar isto também. Mas de forma resumida esta
máquina é muito interessante e funciona muito bem, e ,
para meu gosto, ficou bonita!
Assita a um vídeo de minha primeira máquina de Voss em operação clicando neste link.
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