Tubos de descarga
com gás à baixa pressão
Esta página contém
informações referentes a alguns experimentos
empregado tubos de descarga elétrica em gases à
baixas pressões. A muito tempo leio sobre os efeitos da
pressão atmosférica sobre descargas
elétricas e sempre tive a curiosidade de tentar reproduzir
os experimentos realizados no início do século
XX, época em que se construiram os modelos ainda ensinados
hoje nas esciolas sobre a estrutura da matéria.
Durante meu curso de física pude ver alguns tubos de raios
catódicos, como os de Crookes ou
Geissler em operação, mas queria tentar algo que
pudesse ser reproduzido com material "doméstico", sem a
necessidade de aprender técnicas de glassblowing (embora eu
queira muito aprender a soprar vidro!).
Esta página relata os resultados que consegui, que apesar de
não serem sensacionais me pareceram estremamente
interessantes para demonstrações em classes de
física.
A fim de realizar este experimento precisamos dispor dos seguintes
items:
1) Um meio de fazer vácuo (bomba de vácuo)
2) Uma fonte de alta tensão
3) Um tubo de vidro com eletrodos nos dois extremos
4) Alguma forma de visualizar a pressão dentro do tubo.
Tudo isto parece dificil de ser conseguido! Entretanto, usando um pouco
de imaginação se consegue superar estas
dificuldades. As soluções que encontrei foram as
seguintes:
1) Bomba
de vácuo - Para
não ter que comprar uma boma de vácuo como as que
são usadas nas escolas optei por aproveitar um compressor de
geladeira. Para tal fim cortei a tubulação de
entrada de gás do compressor e soldei aí um
tubinho de maior diâmetro que tem dimensões
adequadas para encaixar uma mangueira de plástico
rígida.
2) Fonte
de alta tensão -
usei uma
das que construí e
que funcionou muito bem.
3) Tubo de vidro - Usei um cilindro de vidro que obtive desmontando um
aquecedor de ambientes "à quartzo". Tirei a
resistência de dentro, e em ambas as extremidades coloquei
uma tampa feita com um tubo de borracha de silicone. Em uma extremidade
coloqueo uma esfera de latão e em outra uma torneira destas
usadas para soro em hospitais.
4) Medição da pressão - Para evitar
usar um manometro construí um dispositivo bem simples - uma
seringa de injeção com uma mola em seu interior.
À medida que aumenta o vácuo o embolo da seringa
se desloca comprimindo a mola. Esta mola foi calibrada usando uma
balaça e uma régua para determinar seu
coeficiente de deformação ("K") e o
diâmetro da seringa foi também medido. De posse de
todos estes dados a pressão pode ser calculada.
Abaixo apresento algumas fotos aonde o vacuo vai sendo gradualmente
feito dentro do cilindro de vidro e a descarga pode ser observada. Como
a pressão que obtive é ainda muito alta, boa
parte do efeito observado são ions em movimento e
não raios catódicos. Esta conclusão
é possível aproximando um imã ao tubo
- quase não há deflexão do feixe de
luz que se forma e pode ser claramente observado.
Futuramente pretendo
repetir o experimento usando uma bomba de vácuo destas
usadas em instalação de ar condicionado, mas vou ter que
encontrar uma melhor maneira de vedar meu sistema, que para
vácuos maiores certamente vai apresentar problemas de
vedação..
Pela coloração do plasma que se forma dentro do tubo,
observando a luz emitida por tubos com gases rarefeitos, conclui-se que
a maior parcela de gás presente deve ser nitrogênio.
Pesquisando sobre a composição do ar encontrei que em
média 78% do ar que respiramos é mesmo nitrogênio,
o que valida o meu resultado.
A tensão aplicda ao tubo, que inicialmente foi de 35.000 volts,
vai gradualmente baixando à medida que o vácuo se forma.
Com a mínima pressão conseguida esta voltagem cai para
apenas 6.000 volts e a corrente que circula é de 2,5 mA
(máximo que minha fonte consegue gerar). Nestas
condições o tubo de vidro se aquece, uma vez que
aí se dissipam cerca de 15 watts.
Comentários
e/ou sugestões
poderão ser enviados para
luiz.alberto.fj@terra.com.br
.
Importante:
Alguns destes experimentos apresentam elevadas tensões e
quantidades de energia; sua implementação deve
ser feita
somente por pessoas com o conhecimento adequado. Não
recomendo
estes experimentos para leigos e não assumo qualquer
responsabilidade por eventuais acidentes causados por desconhecimento
ou cuidado por parte do experimentador.